
Por Dra. Letícia Couto, gastroenterologista em Goiânia | CRM-GO 24609 | RQE 19149 | Revisado em setembro de 2026
Quem descobre que tem SIBO logo encontra uma lista enorme de promessas: probióticos, óleo de orégano, berberina, glutamina, “protocolos naturais”. Mas o que realmente funciona? Neste artigo, explico o que os estudos mostram sobre probiótico para SIBO, fitoterápicos e tratamento natural, quando eles ajudam e quando podem atrapalhar.
Resumo rápido
O SIBO é o supercrescimento de bactérias no intestino delgado, a parte do intestino que normalmente tem poucas bactérias. Elas fermentam os alimentos antes da hora e causam estufamento, gases, dor, diarreia ou intestino preso. Quando o excesso é de microrganismos que produzem metano, o quadro é chamado de IMO. Entenda mais no guia sobre SIBO e IMO.
Pense no tratamento como uma pirâmide. A base é o que tem mais evidência. O topo é o que pode somar, mas não sustenta o tratamento sozinho:

Tratar a causa
Uso prolongado de remédios para o ácido, intestino lento, cirurgias no estômago ou intestino e outras doenças favorecem o SIBO. Cuidar disso é o que mais ajuda a evitar que ele volte.
Antibiótico de ação no intestino
A rifaximina é o mais estudado. Três análises de vários estudos encontraram melhora do SIBO em cerca de 6 a 7 em cada 10 pessoas. No SIBO com metano, às vezes é associado a outro antibiótico.
Alimentação por um período
A dieta baixa em FODMAPs alivia os sintomas. Ela é temporária e deve ter reintrodução dos alimentos, de preferência com nutricionista.
Complementos
Probióticos, fitoterápicos, glutamina e fibras específicas. Podem ajudar nos sintomas, somados ao tratamento, com orientação.
Na maioria dos casos, pode, mas com orientação. Parece contraditório: se o problema é excesso de bactérias, por que tomar mais? A ideia do probiótico é ajudar a reequilibrar a microbiota, competir com as bactérias que estão em excesso e proteger a parede do intestino.
O probiótico mais estudado no SIBO é a Saccharomyces boulardii. Ela é uma levedura, e não uma bactéria, por isso não é eliminada pelo antibiótico e pode ser tomada junto com ele. Ela também resiste bem ao ácido do estômago.
Uma revisão de 2025 reuniu os estudos em pessoas com SIBO. Os resultados variam muito conforme o grupo estudado:
55% x 25%
Em pessoas com esclerose sistêmica, o SIBO melhorou em 55% com probiótico e antibiótico juntos, e em 25% só com antibiótico.
80% x 23%
Em pessoas com cirrose, o SIBO foi eliminado em 80% com probiótico e em 23% com placebo, em um estudo pequeno.
81% x 68%
Em crianças, os sintomas melhoraram mais quando o probiótico foi somado ao antibiótico.
Sem efeito
Depois da cirurgia bariátrica, o probiótico não reduziu o SIBO em comparação com o placebo.
Também há estudos em gestantes com hipotireoidismo, em que o probiótico reduziu o SIBO e ajudou na absorção do hormônio da tireoide. Nessa fase, ele pode ser uma alternativa mais segura que o antibiótico.
Esses estudos são pequenos e usaram cepas diferentes. Por isso, a diretriz americana sobre SIBO considera que ainda não há evidência suficiente para recomendar probióticos de rotina como tratamento. Na prática, a escolha é individual: a cepa, o momento e o tempo de uso fazem diferença.
Probiótico não é tudo igual
Cada cepa tem um efeito diferente, como remédios diferentes. O resultado de um estudo com uma cepa não vale para outra. E, em algumas pessoas, probióticos e fibras aumentam os gases e o estufamento, principalmente no começo.
Os fitoterápicos mais usados no SIBO têm ação contra micróbios e, em parte, anti-inflamatória. Os mais citados nos estudos são:
Outros suplementos entram para ajudar o intestino a se recuperar:
Um estudo clínico publicado em 2024, na Espanha, comparou dois tratamentos em 179 pessoas com SIBO:
O resultado do teste respiratório normalizou em cerca de 4 em cada 10 pessoas, sem diferença entre os grupos. Mas, no SIBO com metano, os sintomas melhoraram mais no grupo que recebeu os complementos:
Pacientes com melhora dos sintomas
SIBO com metano
Antibiótico e dieta
Antibiótico, dieta e complementos
SIBO com hidrogênio
Antibiótico e dieta
Antibiótico, dieta e complementos
Em resumo: os complementos não aumentaram a chance de o exame normalizar, mas ajudaram a pessoa a se sentir melhor no SIBO com metano. O estudo também mostrou que, quanto mais altos os gases no exame inicial, menor a chance de normalizar.
Ainda não há provas suficientes para isso. Um estudo antigo e pequeno, que analisou prontuários, encontrou resultados de fitoterápicos parecidos com os da rifaximina. Mas ele não foi feito com sorteio dos pacientes nem com grupo de comparação bem controlado, então não permite concluir que o tratamento natural substitui o antibiótico.
Além disso, natural não quer dizer sem risco:
O metano é produzido por microrganismos chamados arqueias e costuma deixar o intestino mais lento, com constipação e estufamento. Veja o que significa metano alto no teste respiratório.
Curiosamente, foi no metano que os complementos mostraram mais benefício nos sintomas. A Saccharomyces boulardii foi associada à redução do metano em estudos, e, em gestantes com hipotireoidismo, o tratamento com probióticos negativou o metano em boa parte delas. Mesmo assim, no IMO, o tratamento natural também funciona como complemento, e não como substituto.
Pode interferir. Alguns estudos mostram que probióticos e fibras aumentam a produção de gases, o que pode alterar o resultado. Ainda não há consenso sobre quanto tempo antes suspender, então combine com o médico que pediu o exame. Veja quais remédios interferem no teste respiratório.
O SIBO costuma voltar: em um estudo, voltou em cerca de 44% das pessoas em até 9 meses depois do antibiótico. Isso acontece principalmente quando a causa continua presente. Por isso, o tratamento que mais protege contra a volta é identificar e cuidar do que favoreceu o SIBO, como o uso prolongado de remédios para o ácido ou um intestino lento.
Nesse ponto, probióticos, fibras bem escolhidas e uma alimentação variada podem ajudar a manter a microbiota em equilíbrio. Entenda mais sobre disbiose intestinal.
Confirme o diagnóstico
Os sintomas do SIBO são parecidos com os da síndrome do intestino irritável e de intolerâncias. O teste respiratório ajuda a diferenciar.
Descubra o tipo
Hidrogênio, metano ou os dois. O tratamento muda conforme o gás. Veja o que significa hidrogênio alto no teste.
Não comece suplementos por conta própria
Eles podem mascarar sintomas, interagir com remédios e atrapalhar o exame.
Monte o tratamento com o médico
Base primeiro, complementos quando fizerem sentido para o seu caso.
Procure avaliação logo se tiver
Na maioria dos casos, pode, com orientação médica. Algumas cepas ajudaram em estudos, principalmente quando somadas ao antibiótico, mas outras podem aumentar os gases. A escolha é individual.
Não existe um probiótico que sirva para todos. O mais estudado no SIBO é a Saccharomyces boulardii, uma levedura que pode ser usada junto com o antibiótico. A cepa e o tempo de uso são definidos na consulta.
Fitoterápicos, como óleos essenciais e berberina, podem ajudar como complemento. Ainda não há evidência de boa qualidade de que eles substituam o tratamento médico.
Os mais estudados são óleos essenciais de orégano, canela, limão e hortelã-pimenta, a berberina, a losna e o óleo de cominho-preto. Eles têm ação contra micróbios, mas podem interagir com remédios.
A glutamina ajuda a proteger a parede do intestino e tem benefício em estudos na síndrome do intestino irritável. No SIBO, ela foi usada como parte de um conjunto de complementos, sem efeito isolado comprovado.
Ainda não há consenso. Como probióticos e fibras podem aumentar os gases, combine com o médico que pediu o exame se e quando suspender.

Se você tem SIBO ou suspeita, com estufamento, gases e intestino desregulado, uma consulta ajuda a confirmar o diagnóstico, descobrir a causa e montar um tratamento que faça sentido para você, incluindo quando usar probióticos e suplementos.
Atendo em consultório particular em Goiânia e realizo o teste respiratório.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Não use antibióticos, probióticos ou fitoterápicos sem orientação.

Dra. Letícia Couto – Gastroenterologista
Especialista em saúde intestinal e disbioses. Atendimento humanizado, com investigação completa e plano personalizado para cada paciente.
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