
Por Dra. Letícia Couto, gastroenterologista em Goiânia | CRM-GO 24609 | RQE 19149 | Revisado em setembro de 2026
Frio na barriga antes de uma prova, estômago “fechado” num dia difícil, queimação que aparece junto com a preocupação. Quase todo mundo já sentiu a ansiedade no estômago. Isso acontece porque o intestino e o cérebro conversam o tempo todo. Neste artigo, explico por que a ansiedade ataca o estômago, quais sintomas ela causa, o que fazer na hora e como é o tratamento quando isso vira rotina.
Resumo rápido
O sistema digestivo tem uma rede enorme de nervos, ligada ao cérebro principalmente pelo nervo vago. É o eixo intestino-cérebro: uma via de mão dupla. O cérebro manda sinais para o intestino, e o intestino manda sinais para o cérebro.
Quando você está ansioso ou estressado, o corpo libera hormônios do estresse. Eles podem:
Além disso, o cérebro funciona como um “filtro” da dor. Em pessoas com esses distúrbios, esse filtro costuma estar menos eficiente, e sinais normais do intestino chegam como dor ou desconforto. E a própria preocupação com os sintomas aumenta a ansiedade, fechando um ciclo:

A boa notícia é que esse ciclo pode ser quebrado em qualquer ponto, e o tratamento age em mais de um deles.
37,5%
das pessoas, em um estudo com mais de 54 mil participantes, tinham sofrimento psicológico ou muitos sintomas físicos
4,5 vezes
mais chance de ter um distúrbio intestino-cérebro nesse grupo
37%
das pessoas com dispepsia funcional têm o estômago mais sensível à distensão
Dados do Roma V (2026) e de Oshima, 2023.
No estômago
No intestino
Quando os sintomas do intestino predominam, o quadro costuma ser de síndrome do intestino irritável. Muitas pessoas têm os dois ao mesmo tempo, e, nesses casos, os sintomas e a ansiedade costumam ser mais intensos.
“Gastrite nervosa” é um termo popular, mas não é um diagnóstico médico. Na maioria das vezes, o que as pessoas chamam assim é a dispepsia funcional: dor, queimação ou desconforto na parte de cima da barriga, que se repetem por meses, sem uma doença que apareça nos exames. Ela é considerada um distúrbio da interação intestino-cérebro, e afeta de 10% a 40% das pessoas em países ocidentais.
Ela tem dois tipos principais:
Desconforto depois de comer
Estômago cheio rápido e sensação de peso depois das refeições. É o tipo mais comum, em cerca de 2 de cada 3 pessoas.
Dor na boca do estômago
Dor ou queimação na parte de cima da barriga, que não depende tanto das refeições.
Por trás deles estão os mecanismos que vimos acima: esvaziamento mais lento do estômago em cerca de 30% das pessoas, dificuldade do estômago de relaxar para receber a comida, sensibilidade aumentada e uma inflamação muito leve no duodeno, que o estresse ajuda a manter. Leia mais sobre a diferença entre dispepsia e gastrite.
Antes de culpar a ansiedade
Procure avaliação logo se tiver:
Outras causas, como a bactéria H. pylori, úlcera ou refluxo, precisam ser investigadas.
Na hora da crise, algumas medidas simples ajudam a acalmar o eixo intestino-cérebro:
Se a ansiedade no estômago aparece com frequência, vale procurar um gastroenterologista. O tratamento é individual e costuma combinar:
Consulta com tempo
O Roma V destaca a importância de uma boa relação médico-paciente e de entender o contexto de vida de cada pessoa desde a primeira consulta.
Alimentação
Refeições regulares, menores e sem pressa, menos gordura e ultraprocessados, e ajuste individual dos gatilhos.
Remédios para o estômago
Os que reduzem o ácido são a primeira opção na dispepsia. Outros ajudam o estômago a esvaziar ou a relaxar.
Neuromoduladores
Alguns remédios da família dos antidepressivos, em doses baixas, ajustam o “filtro da dor” entre o intestino e o cérebro. Eles são usados mesmo em quem não tem depressão.
Terapias cérebro-intestino
Terapia cognitivo-comportamental, hipnoterapia focada no intestino e mindfulness têm benefício comprovado, principalmente quando os sintomas não melhoram com o tratamento inicial.
Equipe multiprofissional
O cuidado conjunto com nutricionista e psicólogo trouxe resultados melhores que o acompanhamento só com o gastroenterologista.
Veja também por que o acompanhamento multiprofissional faz diferença.
Pode. Pelo eixo intestino-cérebro, a ansiedade deixa o estômago mais sensível e mais lento, o que causa dor, queimação, náusea e sensação de estômago cheio.
Respirar devagar usando a barriga, comer pouco e devagar, evitar café, álcool, gordura e refrigerante, não deitar logo depois de comer e não tomar remédios por conta própria. Se os sintomas se repetem, procure um gastroenterologista.
Não é um diagnóstico médico. Na maioria das vezes, o que as pessoas chamam de gastrite nervosa é a dispepsia funcional, um distúrbio da interação intestino-cérebro.
Pode. O estresse acelera o intestino e aumenta a sensibilidade, causando cólica, urgência e diarreia. Quando isso é frequente, pode ser síndrome do intestino irritável.
Alguns remédios da família dos antidepressivos, em doses baixas, são usados para ajustar a comunicação entre o intestino e o cérebro, mesmo em quem não tem depressão. A indicação é sempre individual e feita pelo médico.
O gastroenterologista avalia os sintomas digestivos e descarta outras doenças. Quando a ansiedade é intensa, o cuidado junto com psicólogo ou psiquiatra traz melhores resultados.

Se a ansiedade vive atacando o seu estômago, com queimação, estufamento ou intestino desregulado, uma consulta ajuda a entender o que está acontecendo e a montar um tratamento que cuide do estômago e do eixo intestino-cérebro.
Atendo em consultório particular em Goiânia.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Se a ansiedade estiver muito intensa ou atrapalhando sua vida, procure também um profissional de saúde mental.

Dra. Letícia Couto – Gastroenterologista
Especialista em saúde intestinal e disbioses. Atendimento humanizado, com investigação completa e plano personalizado para cada paciente.
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