
Por Dra. Letícia Couto, gastroenterologista em Goiânia | CRM-GO 24609 | RQE 19149 | Revisado em setembro de 2026
Disbiose intestinal é o desequilíbrio da microbiota, o conjunto de bactérias, fungos e outros microrganismos que vivem no intestino. Na disbiose, a variedade de microrganismos diminui, as bactérias que protegem o intestino ficam em menor número e as que favorecem inflamação ganham espaço.
Esse desequilíbrio pode causar sintomas digestivos, como gases, estufamento e mudanças no intestino. E os estudos mostram que ele também está ligado a problemas fora do intestino, como gordura no fígado, diabetes, obesidade, alergias e até alterações de humor.
Resumo rápido
O intestino abriga trilhões de microrganismos. A maior parte é de bactérias, mas também existem fungos, vírus e arqueias. Juntos, eles formam a microbiota intestinal.
Uma boa comparação é uma floresta. Quanto mais espécies diferentes convivem, mais estável ela é. Se uma espécie some, outras ocupam o lugar e a floresta continua funcionando. Uma floresta com poucas espécies, por outro lado, fica mais frágil a pragas e mudanças.
Uma microbiota equilibrada tem funções importantes:
Disbiose é quando esse equilíbrio se perde. Os estudos descrevem três características principais:
É importante saber que não existe uma microbiota “perfeita” igual para todo mundo. A composição muda de pessoa para pessoa, com a idade, a alimentação, os remédios e o lugar onde a pessoa vive. Por isso a disbiose é um conceito que descreve um padrão de desequilíbrio, e não uma doença com um exame único que dá positivo ou negativo.
A parede do intestino funciona como um filtro muito seletivo. As células ficam unidas por estruturas chamadas junções, como se fossem os rejuntes de um piso. Elas deixam passar os nutrientes e seguram bactérias e toxinas do lado de dentro do intestino.
Na disbiose, a barreira pode ficar mais frágil. Com menos butirato e menos muco, os “rejuntes” se afrouxam. Substâncias como o LPS passam para a circulação e mantêm uma inflamação crônica de baixo grau no corpo. Esse é o mecanismo mais estudado para explicar a ligação entre intestino e doenças em outros órgãos.
Uma ressalva honesta: a expressão “síndrome do intestino permeável” (leaky gut) aparece muito na internet, mas não é um diagnóstico médico estabelecido. Ainda não existe um exame padrão-ouro para medir a permeabilidade na prática, e em muitas doenças não está claro se a barreira alterada é causa ou consequência.
Algumas formas de disbiose têm nome próprio, porque envolvem excesso de microrganismos em um lugar específico do intestino:
SIBO e IMO são os mais bem estudados e podem ser investigados com o teste respiratório de hidrogênio e metano. Explico tudo sobre eles no guia SIBO e IMO: o que são, sintomas, diagnóstico e tratamento.
Os sintomas mais comuns são intestinais:
Quando a disbiose atrapalha a absorção dos nutrientes, como pode acontecer no SIBO, podem aparecer anemia, falta de vitamina B12 e perda de peso.
Esses sintomas não são exclusivos da disbiose. Eles também aparecem na síndrome do intestino irritável, em intolerâncias alimentares, na doença celíaca e em outras doenças. Por isso a avaliação médica é importante antes de qualquer tratamento.
Um dos campos que mais cresceu na medicina nos últimos anos é o estudo da relação entre a microbiota e doenças fora do intestino. Veja as principais ligações descritas nos estudos:
A disbiose aparece com frequência na síndrome do intestino irritável, nas doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn e retocolite ulcerativa) e na doença celíaca. O uso de antibióticos também pode abrir espaço para o Clostridioides difficile, uma bactéria que causa diarreia grave.
O intestino e o fígado são ligados diretamente pela circulação. O sangue que sai do intestino passa primeiro pelo fígado. Por isso se fala em eixo intestino-fígado. Na gordura no fígado (esteatose), pessoas com a barreira intestinal alterada tendem a ter doença mais grave, e os níveis de LPS no sangue parecem acompanhar o grau de fibrose.
Estudos em animais mostram que transferir a microbiota de um animal obeso para outro pode transferir também o ganho de peso e a alteração da glicose. Em pessoas, a obesidade e o diabetes tipo 2 aparecem associados a menos bactérias produtoras de butirato e a mais inflamação de baixo grau. A Akkermansia muciniphila, que representa de 3% a 5% da microbiota em pessoas saudáveis, está ligada a melhor sensibilidade à insulina.
Algumas bactérias do intestino produzem substâncias que também atuam no sistema nervoso, como a serotonina e o GABA. Alterações na microbiota aparecem associadas à ansiedade e à depressão. É o chamado eixo intestino-cérebro, que funciona nos dois sentidos. Falo mais sobre isso no artigo sobre ansiedade e digestão.
Boa parte do sistema imune fica no intestino. A disbiose aparece associada a alergias, asma, artrite reumatoide, esclerose múltipla e diabetes tipo 1. O uso de antibióticos nos primeiros anos de vida está associado a mais risco de asma, alergias e eczema.
A microbiota também aparece associada a doenças cardiovasculares e à doença renal crônica. No câncer de intestino, algumas bactérias, como o Fusobacterium nucleatum, são estudadas por favorecer inflamação e crescimento do tumor.
Associação não é o mesmo que causa
A maior parte desses estudos mostra que a disbiose aparece junto com a doença, mas nem sempre dá para saber quem veio primeiro. Muitas pesquisas foram feitas em animais ou em um único momento. Ou seja, a microbiota é uma peça importante do quebra-cabeça, mas não explica sozinha nenhuma dessas doenças, e cuidar do intestino não substitui o tratamento de cada uma delas.
Não existe um exame único que confirme “disbiose”. O diagnóstico parte da consulta: a história dos sintomas, os remédios usados, a alimentação, as doenças associadas e o exame físico.
A partir daí, os exames servem para investigar causas e condições específicas:
Existem exames que fazem o sequenciamento das bactérias nas fezes. Eles são muito úteis em pesquisa, mas ainda não existem valores de referência que digam o que é uma microbiota “normal” para cada pessoa. Por isso, hoje, eles não costumam mudar o tratamento e não substituem a avaliação clínica.
O objetivo é devolver variedade e equilíbrio à microbiota. Não existe uma fórmula única, mas alguns pilares têm boa base nos estudos.
Rever remédios que não são mais necessários, tratar um SIBO confirmado, cuidar do intestino preso ou de uma doença de base. Nunca suspenda um remédio por conta própria.
Uma observação importante: quem tem SIBO ou síndrome do intestino irritável pode piorar ao aumentar fibras de uma vez. Nesses casos, o ajuste precisa ser gradual e individual, de preferência com nutricionista.
Probióticos são microrganismos vivos, e prebióticos são fibras que alimentam as bactérias benéficas. O efeito dos probióticos depende muito da cepa, e cada cepa tem resultados em situações específicas. Tomar um probiótico qualquer sem indicação costuma não resolver e às vezes piora o estufamento.
Parece contraditório, mas em algumas formas de disbiose, como o SIBO confirmado, um antibiótico de ação intestinal faz parte do tratamento.
É a transferência de fezes de um doador saudável e testado. Já é um tratamento estabelecido para a infecção recorrente por Clostridioides difficile, com cura em cerca de 85% dos casos. Para outras condições, como doenças metabólicas e síndrome do intestino irritável, ainda está em pesquisa.
Atividade física regular, sono de qualidade e manejo do estresse também influenciam a microbiota e a comunicação entre intestino e cérebro.
Procure avaliação se você tem gases, estufamento, dor ou mudanças no intestino que duram semanas, principalmente se os sintomas começaram depois de antibióticos, se você usa omeprazol há muito tempo ou se já tentou mudar a alimentação e não melhorou.
Sangue nas fezes, perda de peso sem explicação, anemia, febre e sintomas que acordam você à noite são sinais de alerta e precisam de avaliação rápida.
É o desequilíbrio da microbiota do intestino, com menos variedade de microrganismos, menos bactérias protetoras e mais bactérias ligadas à inflamação.
Não existe um exame único. O diagnóstico é clínico, e exames como o teste respiratório, exames de fezes e de sangue ajudam a investigar causas e condições específicas, como SIBO e IMO.
Hoje ele é mais útil em pesquisa. Ainda não existem valores de referência que permitam usar o resultado para decidir o tratamento com segurança.
Disbiose é o desequilíbrio da microbiota de forma geral. SIBO é um tipo específico de disbiose, com excesso de bactérias no intestino delgado, que pode ser investigado com o teste respiratório.
A microbiota muda o tempo todo e responde a mudanças na alimentação, nos remédios e no estilo de vida. Tratando a causa, é possível recuperar o equilíbrio na maioria dos casos.
Os estudos mostram uma associação entre alterações da microbiota e ansiedade ou depressão, pelo eixo intestino-cérebro. Mas a relação funciona nos dois sentidos, e a disbiose não é a única explicação para esses quadros.
A obesidade está associada a alterações na microbiota, e estudos em animais sugerem que a microbiota influencia o ganho de peso. Em pessoas, ela é um dos vários fatores envolvidos, junto com alimentação, atividade física, sono, genética e hormônios.
Não sozinho. O efeito depende da cepa e da situação. A base do tratamento é cuidar da causa e da alimentação, e o probiótico pode ser um complemento quando bem indicado.
O gastroenterologista é o especialista indicado para investigar e tratar a disbiose e as condições ligadas a ela, muitas vezes em conjunto com nutricionista.

Se você convive com gases, estufamento ou mudanças no intestino e quer entender o que está por trás, uma avaliação ajuda a investigar a causa, identificar condições como SIBO e IMO e montar um tratamento para o seu caso.
Atendo em consultório particular em Goiânia e realizo o teste respiratório de hidrogênio e metano.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica.

Dra. Letícia Couto – Gastroenterologista
Especialista em saúde intestinal e disbioses. Atendimento humanizado, com investigação completa e plano personalizado para cada paciente.
📅 Agende sua consulta e descubra como cuidar da sua saúde digestiva de forma segura e eficaz.
CRMGO 24609 | RQE 19149
Dra. Letícia Couto, especialista em gastroenterologia em Goiânia, proporciona atendimento humanizado e personalizado para diagnósticos precisos e tratamentos eficazes de problemas digestivos.
Agende sua consulta