
Por Dra. Letícia Couto, gastroenterologista em Goiânia | CRM-GO 24609 | RQE 19149 | Revisado em setembro de 2026
Estufamento depois do leite, gases depois de frutas, dor de barriga que aparece “com qualquer coisa”. Muita gente suspeita de intolerância alimentar, e muita gente confunde intolerância com alergia. Neste guia, explico o que é intolerância alimentar, quais são as mais comuns, os sintomas, a diferença para a alergia, os exames que realmente ajudam e como é o tratamento.
Resumo rápido
A intolerância alimentar acontece quando o corpo tem dificuldade para digerir, absorver ou lidar com algum componente de um alimento. O que sobra sem ser absorvido chega ao intestino grosso, é fermentado pelas bactérias e produz gases, estufamento e diarreia.
A diferença mais importante: a intolerância depende da quantidade. Pense em um copo: enquanto você come abaixo do seu limite, nada acontece. Quando passa do limite, o copo transborda e os sintomas aparecem.

Por isso, muitas pessoas com intolerância não precisam cortar o alimento por completo. Elas precisam descobrir o próprio limite.
A alergia alimentar é uma reação do sistema de defesa do corpo contra uma proteína do alimento. Ela pode acontecer com quantidades mínimas e pode ser grave. A intolerância acontece no sistema digestivo, não é perigosa e depende da quantidade.
Intolerância
Alergia
Procure emergência imediatamente se
Depois de comer, aparecer falta de ar, chiado no peito, inchaço na boca, língua ou garganta, tontura ou manchas pelo corpo. Esses sinais sugerem alergia grave, e não intolerância.
Intolerância à lactose
A mais conhecida. Com o passar dos anos, cerca de 2 em cada 3 adultos no mundo produzem menos lactase, a enzima que digere o açúcar do leite. Veja como saber se você é intolerante à lactose.
Intolerância à frutose
O intestino tem uma capacidade limitada de absorver a frutose das frutas, do mel e de alimentos adoçados. Entenda a intolerância à frutose.
FODMAPs
Carboidratos que fermentam muito, presentes em feijão, cebola, alho, trigo e algumas frutas. Pesam mais em quem tem síndrome do intestino irritável.
Sensibilidade ao glúten não celíaca
Sintomas com glúten em quem não tem doença celíaca nem alergia ao trigo. Antes de tirar o glúten, é preciso investigar a doença celíaca, porque a dieta atrapalha os exames.
Substâncias dos alimentos
Cafeína, álcool, gordura em excesso, pimenta e alguns aditivos podem causar sintomas em pessoas mais sensíveis.
Histamina
Presente em alimentos fermentados, curados e em alguns vinhos. É muito citada na internet, mas os estudos ainda são poucos e o diagnóstico é difícil.
Os sintomas costumam aparecer de 30 minutos a algumas horas depois de comer e são principalmente digestivos:
Algumas pessoas também relatam dor de cabeça e cansaço, mas esses sintomas são menos específicos e podem ter muitas outras causas.
Algumas intolerâncias são secundárias, ou seja, causadas por outro problema no intestino, como doença celíaca, SIBO, uma gastroenterite recente ou alguns remédios. Nesses casos, tratar a causa pode melhorar a tolerância ao alimento.
Anote o que come e o que sente
Um diário de 1 a 2 semanas, com os alimentos, as quantidades e os sintomas, ajuda muito na consulta.
Descarte outras doenças
Exames de sangue e de fezes ajudam a afastar doença celíaca, anemia, inflamações e outras causas dos sintomas.
Faça o teste respiratório, quando indicado
Para lactose e frutose, o teste respiratório de hidrogênio mostra se o açúcar está sendo mal absorvido e se isso causa sintomas.
Teste a exclusão e a reintrodução
Retirar o alimento suspeito por um período curto e depois reintroduzir, com orientação, confirma se ele é mesmo o responsável e mostra o seu limite.
Exames que não servem para intolerância
Alguns testes são muito vendidos, mas não são recomendados pelas sociedades médicas:
Intolerância alimentar tem tratamento, e na maioria das vezes ele passa por ajustar a quantidade, e não por cortar tudo para sempre.
Descobrir o seu limite
Muitas pessoas com intolerância à lactose toleram pequenas quantidades de leite, principalmente junto com outros alimentos. Queijos curados e iogurtes costumam ser mais bem tolerados.
Dieta orientada
A dieta baixa em FODMAPs é feita por um período curto, seguida da reintrodução dos alimentos, de preferência com nutricionista.
Enzimas e substitutos
Produtos sem lactose e a enzima lactase ajudam quem tem intolerância à lactose. O cálcio precisa ser garantido por outros alimentos.
Tratar a causa
Quando a intolerância é secundária a SIBO, doença celíaca ou outra condição, o tratamento dessa causa pode melhorar a tolerância.
Cortar muitos alimentos por conta própria pode deixar a dieta pobre em nutrientes e piorar a relação com a comida, sem resolver o problema.
Procure avaliação quando os sintomas forem frequentes, atrapalharem sua rotina ou você estiver cortando cada vez mais alimentos. Procure logo se tiver:
A alergia é uma reação do sistema de defesa, pode acontecer com quantidades mínimas e pode ser grave. A intolerância acontece no sistema digestivo, depende da quantidade ingerida e causa sintomas como estufamento, gases e diarreia, sem risco de vida.
As mais comuns são a intolerância à lactose, à frutose e aos FODMAPs. A sensibilidade ao glúten não celíaca também existe, mas só é considerada depois de descartar a doença celíaca.
O diagnóstico junta a história dos sintomas, um diário alimentar, exames para descartar outras doenças e, quando indicado, o teste respiratório de hidrogênio para lactose e frutose. A exclusão e a reintrodução do alimento, com orientação, ajudam a confirmar.
Não. O exame de IgG para alimentos não é recomendado para diagnosticar intolerância, porque mostra apenas que a pessoa comeu aquele alimento. Os exames de sangue servem para descartar outras doenças, como a celíaca.
Depende do tipo. A intolerância à lactose por perda natural da enzima costuma ser permanente, mas é bem controlada ajustando a quantidade. As intolerâncias secundárias podem melhorar quando a causa é tratada.
Pode. A produção de lactase diminui com a idade em muitas pessoas, e infecções intestinais, SIBO e outras condições podem fazer surgir intolerâncias em qualquer fase da vida.

Se você suspeita de intolerância alimentar, com estufamento, gases ou diarreia depois de comer, uma consulta ajuda a descobrir o que realmente faz mal, sem cortar alimentos à toa.
Atendo em consultório particular em Goiânia e realizo o teste respiratório para lactose e frutose.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Em caso de sinais de alergia grave, procure atendimento de emergência.

Dra. Letícia Couto – Gastroenterologista
Especialista em saúde intestinal e disbioses. Atendimento humanizado, com investigação completa e plano personalizado para cada paciente.
📅 Agende sua consulta e descubra como cuidar da sua saúde digestiva de forma segura e eficaz.
CRMGO 24609 | RQE 19149
Dra. Letícia Couto, especialista em gastroenterologia em Goiânia, proporciona atendimento humanizado e personalizado para diagnósticos precisos e tratamentos eficazes de problemas digestivos.
Agende sua consulta