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H. pylori: o que é, sintomas, exames e tratamento

Ilustração do estômago com bactérias H. pylori em forma de espiral

Por Dra. Letícia Couto, gastroenterologista em Goiânia | CRM-GO 24609 | RQE 19149 | Revisado em setembro de 2026

O H. pylori (Helicobacter pylori) é uma bactéria que vive no estômago e infecta cerca de 40% da população mundial. Na maioria das pessoas, ela não causa sintomas, mas pode levar a gastrite, úlceras e aumenta o risco de câncer de estômago. Em 2026, foi publicado o V Consenso Brasileiro sobre a infecção por H. pylori, que atualizou quem deve ser testado, como tratar e como confirmar a cura. Neste guia, explico tudo isso de forma simples.

Resumo rápido

  • O H. pylori é adquirido principalmente na infância, dentro da família.
  • A maioria das pessoas infectadas não tem sintomas, mas a bactéria pode causar gastrite, úlcera e câncer de estômago.
  • O teste respiratório com ureia é o padrão-ouro entre os exames sem endoscopia. A pesquisa de antígeno nas fezes é uma alternativa válida.
  • O tratamento combina antibióticos, bismuto e remédio para reduzir o ácido, por 10 a 14 dias.
  • Confirmar a cura é obrigatório, com um novo exame feito pelo menos 4 semanas depois do tratamento.

O que é o H. pylori?

O H. pylori é uma bactéria em forma de espiral que consegue sobreviver no ambiente ácido do estômago. Ela se instala na mucosa e causa uma inflamação crônica, a gastrite, que pode durar a vida toda se não for tratada.

Como se pega H. pylori?

Pelo consenso brasileiro, a transmissão acontece principalmente entre pessoas da mesma família, e a via mais importante é a fecal-oral, ou seja, por mãos, água ou alimentos contaminados. A maior parte das infecções acontece antes dos 10 anos de idade. Em adultos, pegar a bactéria é bem menos comum.

A boa notícia é que a infecção está diminuindo no Brasil e no mundo, acompanhando a melhora das condições de saneamento e de vida.

Sintomas de H. pylori

A maioria das pessoas com H. pylori não sente nada. Quando há sintomas, eles costumam vir das doenças que a bactéria causa:

  • Dor ou queimação na boca do estômago
  • Sensação de estômago cheio e estufamento depois de comer
  • Náusea
  • Em quem tem úlcera: dor que pode melhorar ou piorar com a alimentação, e às vezes sangramento, com fezes pretas ou vômito com sangue
  • Anemia por falta de ferro sem outra explicação

Como esses sintomas são parecidos com os de outras condições, só os exames confirmam a infecção.

Por que tratar o H. pylori?

40%

da população mundial tem a bactéria

55%

menos câncer de estômago em familiares de pacientes com câncer que trataram a bactéria, em um estudo

2%

ao ano foi a taxa de volta da bactéria depois da cura, em um estudo brasileiro

O H. pylori é a principal causa de úlcera no estômago e no duodeno e é o principal fator de risco para o câncer de estômago. Tratar a bactéria cicatriza as úlceras, evita que elas voltem e reduz o risco de câncer.

Quem deve fazer o exame para H. pylori?

O V Consenso Brasileiro ampliou as indicações. A pesquisa e o tratamento são recomendados para quem tem:

Doenças do estômago

  • Gastrite crônica
  • Úlcera no estômago ou no duodeno
  • Dispepsia, incluindo a dispepsia funcional
  • Lesões que antecedem o câncer, como atrofia e metaplasia intestinal
  • Linfoma MALT e câncer de estômago inicial já tratado

Novidades do consenso de 2026

  • Parentes de primeiro grau de pessoas com câncer de estômago
  • Refluxo em uso prolongado de remédio para o ácido
  • Pessoas que vão fazer cirurgia bariátrica
  • Quando o próprio paciente deseja saber e tratar

Outras situações

  • Uso prolongado planejado de anti-inflamatórios ou AAS
  • Anemia por falta de ferro sem causa explicada
  • Plaquetas baixas por causa imunológica

Para os parentes de primeiro grau de quem teve câncer de estômago, o consenso orienta exame sem endoscopia entre os 20 e 29 anos e endoscopia com biópsias a partir dos 30 anos. Já o rastreamento de toda a população brasileira não é recomendado.

Sobre o refluxo: o consenso explica que o uso prolongado de remédios para o ácido em quem tem H. pylori favorece a inflamação no corpo do estômago e a atrofia, que aumenta o risco de câncer. Tratar a bactéria evita esse caminho.

Exames para H. pylori

Teste respiratório com ureia

O padrão-ouro entre os exames sem endoscopia. Você bebe uma solução e sopra em um recipiente.

Antígeno nas fezes

Alternativa válida, feita com uma amostra de fezes.

Endoscopia com biópsia

Indicada quando também é preciso avaliar o estômago, por idade, sintomas ou sinais de alarme.

Exame de sangue

Mostra contato com a bactéria, mas não serve para confirmar a cura, porque pode continuar positivo por muito tempo.

Teste respiratório com ureia não é o mesmo que o de hidrogênio e metano

Os dois são feitos soprando, mas investigam coisas diferentes. O teste com ureia detecta o H. pylori no estômago. O teste respiratório de hidrogênio e metano investiga SIBO e intolerâncias alimentares, como à lactose e à frutose.

Tratamento do H. pylori

O tratamento combina antibióticos com um remédio que reduz o ácido do estômago, e dura de 10 a 14 dias. O principal motivo da atualização do consenso foi o aumento da resistência da bactéria a alguns antibióticos, principalmente a claritromicina e o levofloxacino. Por isso, os esquemas mudaram:

  • Primeira escolha: a terapia quádrupla com bismuto, que junta bismuto, dois antibióticos e um remédio para reduzir o ácido.
  • Outras opções: quando o bismuto não está disponível, existem outros esquemas, e o médico escolhe o mais adequado para você.
  • Se o tratamento falhar: o segundo tratamento não deve repetir o primeiro, e antibióticos já usados antes são evitados. Depois de três tentativas sem sucesso, o ideal é escolher o tratamento com base em exames que testam a sensibilidade da bactéria.

O esquema e as doses são definidos na consulta, de acordo com a sua história, alergias e remédios que você já usou. Não tome antibióticos por conta própria: tratamentos incompletos ou errados aumentam a resistência e diminuem a chance de cura.

Durante o tratamento

  • Tome todos os remédios, nos horários certos, até o último dia, mesmo que os sintomas melhorem antes.
  • Efeitos como gosto metálico na boca, náusea e diarreia leve podem acontecer. Com o bismuto, as fezes podem ficar escuras.
  • Se os efeitos forem fortes, fale com o médico antes de parar.

Como confirmar a cura

Pelo consenso, confirmar a erradicação é obrigatório, e não opcional. Veja como funciona:

1

Fazer o tratamento completo

De 10 a 14 dias, sem pular doses.

2

Esperar pelo menos 4 semanas

Depois do fim dos antibióticos e do bismuto.

3

Ficar 14 dias sem remédio para o ácido

Os remédios da família do omeprazol podem dar resultado falsamente negativo. Combine a pausa com o médico.

4

Fazer o exame de controle

Teste respiratório com ureia ou antígeno nas fezes. O exame de sangue não serve para isso.

O H. pylori pode voltar?

É pouco comum. Em adultos, a volta da bactéria depois da cura é baixa em países desenvolvidos e um pouco maior em países em desenvolvimento. Um estudo brasileiro encontrou cerca de 2% ao ano. Por isso, depois de confirmada a cura, não é preciso repetir exames sem motivo.

Perguntas frequentes sobre H. pylori

H. pylori tem cura?

Sim. O tratamento com antibióticos elimina a bactéria na maioria das pessoas. Por isso é tão importante fazer o exame de controle depois, para confirmar a cura.

Quais são os sintomas de H. pylori?

A maioria das pessoas não tem sintomas. Quando existem, costumam ser dor ou queimação na boca do estômago, estufamento, náusea e, em quem tem úlcera, sangramento.

Como se pega H. pylori?

Principalmente na infância, entre pessoas da mesma família, pela via fecal-oral. Em adultos, a infecção nova é bem menos comum.

H. pylori causa câncer?

A bactéria é o principal fator de risco para o câncer de estômago, mas a grande maioria das pessoas infectadas não terá câncer. Tratar a bactéria reduz esse risco.

Qual o melhor exame para H. pylori?

Entre os exames sem endoscopia, o teste respiratório com ureia é o padrão-ouro. A pesquisa de antígeno nas fezes é uma alternativa válida. A endoscopia é indicada quando também é preciso avaliar o estômago.

Preciso repetir o exame depois do tratamento?

Sim, é obrigatório. O exame deve ser feito pelo menos 4 semanas depois do fim do tratamento e com 14 dias sem remédios para o ácido.

Minha família precisa fazer o exame?

Parentes de primeiro grau de pessoas com câncer de estômago devem ser investigados. Para os demais, a indicação é avaliada caso a caso, conforme sintomas e outras condições.

Tratamento de H. pylori em Goiânia

Consultório da Dra. Letícia Couto, gastroenterologista em Goiânia

Se você tem H. pylori, já tratou e não sabe se curou, ou tem casos de câncer de estômago na família, uma consulta ajuda a definir os exames e o tratamento certo para você, seguindo o consenso brasileiro mais recente.

Atendo em consultório particular em Goiânia.

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Veja também: gastrite, refluxo gastroesofágico e uso prolongado de inibidores de bomba de prótons.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica.

Referências

  • Coelho LGV, Sanches BSF, Maguilnik I, et al. V Consenso Brasileiro sobre a infecção por Helicobacter pylori. Arq Gastroenterol. 2026;63:e26043. doi:10.1590/S0004-2803.24612026-043
  • Malfertheiner P, Megraud F, Rokkas T, et al. Management of Helicobacter pylori infection: the Maastricht VI/Florence consensus report. Gut. 2022;71:1724-1762. doi:10.1136/gutjnl-2022-327745
  • Choi IJ, Kim CG, Lee JY, et al. Family History of Gastric Cancer and Helicobacter pylori Treatment. N Engl J Med. 2020;382:427-436. doi:10.1056/NEJMoa1909666

Dra. Letícia Couto – Gastroenterologista
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