
Por Dra. Letícia Couto, gastroenterologista em Goiânia | CRM-GO 24609 | RQE 19149 | Revisado em setembro de 2026
O H. pylori (Helicobacter pylori) é uma bactéria que vive no estômago e infecta cerca de 40% da população mundial. Na maioria das pessoas, ela não causa sintomas, mas pode levar a gastrite, úlceras e aumenta o risco de câncer de estômago. Em 2026, foi publicado o V Consenso Brasileiro sobre a infecção por H. pylori, que atualizou quem deve ser testado, como tratar e como confirmar a cura. Neste guia, explico tudo isso de forma simples.
Resumo rápido
O H. pylori é uma bactéria em forma de espiral que consegue sobreviver no ambiente ácido do estômago. Ela se instala na mucosa e causa uma inflamação crônica, a gastrite, que pode durar a vida toda se não for tratada.
Pelo consenso brasileiro, a transmissão acontece principalmente entre pessoas da mesma família, e a via mais importante é a fecal-oral, ou seja, por mãos, água ou alimentos contaminados. A maior parte das infecções acontece antes dos 10 anos de idade. Em adultos, pegar a bactéria é bem menos comum.
A boa notícia é que a infecção está diminuindo no Brasil e no mundo, acompanhando a melhora das condições de saneamento e de vida.
A maioria das pessoas com H. pylori não sente nada. Quando há sintomas, eles costumam vir das doenças que a bactéria causa:
Como esses sintomas são parecidos com os de outras condições, só os exames confirmam a infecção.
40%
da população mundial tem a bactéria
55%
menos câncer de estômago em familiares de pacientes com câncer que trataram a bactéria, em um estudo
2%
ao ano foi a taxa de volta da bactéria depois da cura, em um estudo brasileiro
O H. pylori é a principal causa de úlcera no estômago e no duodeno e é o principal fator de risco para o câncer de estômago. Tratar a bactéria cicatriza as úlceras, evita que elas voltem e reduz o risco de câncer.
O V Consenso Brasileiro ampliou as indicações. A pesquisa e o tratamento são recomendados para quem tem:
Doenças do estômago
Novidades do consenso de 2026
Outras situações
Para os parentes de primeiro grau de quem teve câncer de estômago, o consenso orienta exame sem endoscopia entre os 20 e 29 anos e endoscopia com biópsias a partir dos 30 anos. Já o rastreamento de toda a população brasileira não é recomendado.
Sobre o refluxo: o consenso explica que o uso prolongado de remédios para o ácido em quem tem H. pylori favorece a inflamação no corpo do estômago e a atrofia, que aumenta o risco de câncer. Tratar a bactéria evita esse caminho.
Teste respiratório com ureia
O padrão-ouro entre os exames sem endoscopia. Você bebe uma solução e sopra em um recipiente.
Antígeno nas fezes
Alternativa válida, feita com uma amostra de fezes.
Endoscopia com biópsia
Indicada quando também é preciso avaliar o estômago, por idade, sintomas ou sinais de alarme.
Exame de sangue
Mostra contato com a bactéria, mas não serve para confirmar a cura, porque pode continuar positivo por muito tempo.
Teste respiratório com ureia não é o mesmo que o de hidrogênio e metano
Os dois são feitos soprando, mas investigam coisas diferentes. O teste com ureia detecta o H. pylori no estômago. O teste respiratório de hidrogênio e metano investiga SIBO e intolerâncias alimentares, como à lactose e à frutose.
O tratamento combina antibióticos com um remédio que reduz o ácido do estômago, e dura de 10 a 14 dias. O principal motivo da atualização do consenso foi o aumento da resistência da bactéria a alguns antibióticos, principalmente a claritromicina e o levofloxacino. Por isso, os esquemas mudaram:
O esquema e as doses são definidos na consulta, de acordo com a sua história, alergias e remédios que você já usou. Não tome antibióticos por conta própria: tratamentos incompletos ou errados aumentam a resistência e diminuem a chance de cura.
Durante o tratamento
Pelo consenso, confirmar a erradicação é obrigatório, e não opcional. Veja como funciona:
Fazer o tratamento completo
De 10 a 14 dias, sem pular doses.
Esperar pelo menos 4 semanas
Depois do fim dos antibióticos e do bismuto.
Ficar 14 dias sem remédio para o ácido
Os remédios da família do omeprazol podem dar resultado falsamente negativo. Combine a pausa com o médico.
Fazer o exame de controle
Teste respiratório com ureia ou antígeno nas fezes. O exame de sangue não serve para isso.
É pouco comum. Em adultos, a volta da bactéria depois da cura é baixa em países desenvolvidos e um pouco maior em países em desenvolvimento. Um estudo brasileiro encontrou cerca de 2% ao ano. Por isso, depois de confirmada a cura, não é preciso repetir exames sem motivo.
Sim. O tratamento com antibióticos elimina a bactéria na maioria das pessoas. Por isso é tão importante fazer o exame de controle depois, para confirmar a cura.
A maioria das pessoas não tem sintomas. Quando existem, costumam ser dor ou queimação na boca do estômago, estufamento, náusea e, em quem tem úlcera, sangramento.
Principalmente na infância, entre pessoas da mesma família, pela via fecal-oral. Em adultos, a infecção nova é bem menos comum.
A bactéria é o principal fator de risco para o câncer de estômago, mas a grande maioria das pessoas infectadas não terá câncer. Tratar a bactéria reduz esse risco.
Entre os exames sem endoscopia, o teste respiratório com ureia é o padrão-ouro. A pesquisa de antígeno nas fezes é uma alternativa válida. A endoscopia é indicada quando também é preciso avaliar o estômago.
Sim, é obrigatório. O exame deve ser feito pelo menos 4 semanas depois do fim do tratamento e com 14 dias sem remédios para o ácido.
Parentes de primeiro grau de pessoas com câncer de estômago devem ser investigados. Para os demais, a indicação é avaliada caso a caso, conforme sintomas e outras condições.

Se você tem H. pylori, já tratou e não sabe se curou, ou tem casos de câncer de estômago na família, uma consulta ajuda a definir os exames e o tratamento certo para você, seguindo o consenso brasileiro mais recente.
Atendo em consultório particular em Goiânia.
Veja também: gastrite, refluxo gastroesofágico e uso prolongado de inibidores de bomba de prótons.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica.

Dra. Letícia Couto – Gastroenterologista
Especialista em saúde intestinal e disbioses. Atendimento humanizado, com investigação completa e plano personalizado para cada paciente.
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